Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.
E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Gênesis 12:1-3

RIKBAKTSA
PARTE 1

BRASIL, EM CONSTRUÇÃO

"Rikbaktsa" ="os seres humanos". O nome Rikbaktsa vem de "Rik": pessoa, ser humano; 'bak': um reforço de sentido e 'tsa', sufixo para a forma plural. Também conhecidos como "Orelhas de Pau" ou "Canoeiros", enfrentaram um processo de depopulação na década de 60 que resultou na morte de 75% de seu povo. Recuperados, seguem na luta pela defesa de seus direitos e território. São chamados de 'orelhas de pau' por conta dos botoques feitos de caixeta, usados nos lóbulos da orelha e como 'canoeiros' por suas habilidades com as canoas. Foi exatamente em canoas que se deu minha primeira visita a terras Rikbaktsa em uma expedição de etnomapeamento feita por sete dias a bordo de canoas pelo rio Juruena, depois de uns dias em terra na TI Japuíra. Vamos comigo?

Chega a hora de embarcar. Mais de sessenta pessoas se dividiram em treze pequenos barcos para percorrer o território Rikbaktsa pelo rio. Homens e mulheres. Anciãos, jovens e bebês. Todos juntos. Passávamos o dia inteiro a bordo de pequenas canoas que levavam três a quatro pessoas cada. No fim do dia, desembarcávamos e procurávamos um pedaço de floresta seguro para acampar.

Cocares, braceletes, colares... o artesanato Rikbaktsa é rico em beleza e significado.  

Antes do contato com os não-indígenas, havia por um ritual de passagem para a vida adulta, onde as moças tinham os rostos tatuados e os  rapazes eram tatuados no peito. Também passavam por uma reclusão cerimonial que podia ter mais de um mês de duração. Nesse período, não podiam tomar sol, nem serem vistos por quem não fosse parente muito próximo. A tradição das reclusões, tatuagens e do uso do botoque no lóbulo da orelha dos rapazes foram sendo abandonados após o contato, embora alguns idosos buscam preservar alguns dos costumes de modificação corporal. Um indígena adulto mostrou o nariz perfurado com um adorno especial feito com pena de arara, como você pode ver na galeria abaixo, que também mostra o trabalho artesanal de sementes, castanhas, ossos e penas feitos pelas mulheres.

"Vou trabalhar um pouco. Quer ver?"
Era uma manhã ensolarada na aldeia Primavera, quando o ancião Rikbaktsa começou a preparar um cocar. Acompanhe o processo na galeria abaixo.

Nas próximas semanas, a parte 2 sobre a etnia Rikbaktsa, mostrando o cotidiano nas aldeias e formas de susbsistência.

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